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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Direitas, esquerdas e você

A nossa vida é escrita de maneiras muito estranhas às vezes. Tu foste a contramão que peguei em um desses desafios que a estrada nos dá. Pela escolha tomada, perdi várias paisagens bonitas reservadas lá na frente para mim. A cada quilômetro que percorri para trás, esqueci um pouco do que sou pelo caminho e me tornei mais tu. E a cada grito alheio que ouvi ecoar, dizendo que eu deveria voltar ao meu percurso correto, sorria-me o horizonte à frente, sussurrando: vale a pena.

Entre grandes lombadas e incontáveis buracos, guardo a certeza de que não te caminho por ser mais fácil, nem por ter as melhores visões do pôr do sol, mas por saber que é nessa estrada que me sinto em casa, como nunca antes senti. O céu mais bonito é menos bonito quando não existe um porquê, e tu és o meu. Entre direitas e esquerdas, sempre vou te escolher.

domingo, 4 de novembro de 2012

Deserto, eu


Vendo-me os olhos e vazo por dentro. A água fina e ligeira agora escorre pela garganta. Silenciosa, ela guarda a angústia do não saber e a vontade presa do tentar entender, quando em nada me encontro e o tudo busco. Eclodem as interrogações como luzes para minha visão trancada e a torneira de mim segue aberta. Que passos meus passos acompanham?

A pulsação acelerada implora para que as pernas agitadas parem, então me deito no deserto que por lei da vida me é. Da quietude entoam-se os antes murmúrios e me confundem diante do que já, desde o rudimento, não sei. Tive apenas pressuposições que me levantaram na esteira cronológica dos meus dias e me empurraram para uma estrada cujo percurso eu percorro na contramão.

Que sirva-me, o sol, como sinestesia pura e entre em mim. Que desligue a água que corre e ligue algum calor motivador capaz de dar voz, pois com essa rouquidão dos gritos da vida só é possível chegar ao boteco mais próximo e pedir mais uma música surrada enquanto reclamo do nada, sendo o nada o tudo, e nesse tudo me encontrar, contra vontade. 
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